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RISCOS E CONTROLES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: UMA ANÁLISE À LUZ DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL, DO DECRETO Nº 9.203/2017 E DA ESTRUTURA COSO

Resumo

A gestão pública contemporânea exige mecanismos estruturados capazes de assegurar eficiência, integridade e sustentabilidade fiscal. Nesse contexto, a gestão de riscos e os controles internos assumem papel estratégico na governança pública. Este artigo analisa os riscos e controles na administração pública brasileira à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), do Decreto nº 9.203/2017 e da estrutura COSO, referência internacional em gestão de riscos e controle interno. A pesquisa adota abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e normativa. Os resultados indicam que a integração entre governança, planejamento fiscal e gestão estruturada de riscos promove amadurecimento institucional, fortalece a accountability e contribui para a prevenção de irregularidades. Conclui-se que a adoção sistemática de modelos de controle baseados no COSO amplia a capacidade estatal de tomada de decisão e gestão sustentável.

Palavras-chave: Gestão de riscos. Governança pública. Controle interno. Responsabilidade fiscal. COSO.

               La gestión pública contemporánea exige mecanismos estructurados capaces de garantizar la eficiencia, la integridad y la sostenibilidad fiscal. En este contexto, la gestión de riesgos y los controles internos asumen un papel estratégico en la gobernanza pública. Este artículo analiza los riesgos y controles en la administración pública brasileña a la luz de la Ley de Responsabilidad Fiscal (LRF), Decreto n.º 9.203/2017, y el marco COSO, referente internacional en gestión de riesgos y control interno. La investigación adopta un enfoque cualitativo, basado en una revisión bibliográfica y normativa. Los resultados indican que la integración entre la gobernanza, la planificación fiscal y la gestión estructurada de riesgos promueve la madurez institucional, fortalece la rendición de cuentas y contribuye a la prevención de irregularidades. Se concluye que la adopción sistemática de modelos de control basados ​​en COSO amplía la capacidad del Estado para la toma de decisiones y la gestión sostenible.

Palabras clave: Gestión de riesgos. Gobernanza pública. Control interno.

               Contemporary public management demands structured mechanisms capable of ensuring efficiency, integrity, and fiscal sustainability. In this context, risk management and internal controls assume a strategic role in public governance. This article analyzes the risks and controls in Brazilian public administration in light of the Fiscal Responsibility Law (LRF), Decree No. 9,203/2017, and the COSO framework, an international reference in risk management and internal control. The research adopts a qualitative approach, based on bibliographic and normative review. The results indicate that the integration between governance, fiscal planning, and structured risk management promotes institutional maturity, strengthens accountability, and contributes to the prevention of irregularities. It is concluded that the systematic adoption of control models based on COSO expands the state's capacity for decision-making and sustainable management. Keywords: Risk management. Public governance. Internal control.

1 Introdução

A administração pública enfrenta crescente pressão por resultados, transparência e uso eficiente dos recursos públicos. A complexidade institucional e o aumento das demandas sociais ampliam a exposição a riscos fiscais, operacionais e de integridade. Nesse cenário, a governança pública moderna incorpora a gestão de riscos como elemento central da tomada de decisão.

A Lei de Responsabilidade Fiscal introduziu disciplina e planejamento fiscal no Brasil, estabelecendo mecanismos preventivos voltados à sustentabilidade financeira do Estado (BRASIL, 2000). Posteriormente, o Decreto nº 9.203/2017 consolidou diretrizes de governança pública, reconhecendo a gestão de riscos como componente essencial da administração (BRASIL, 2017).

Paralelamente, a estrutura COSO tornou-se referência internacional para sistemas de controle interno e gestão de riscos, fornecendo metodologia integrada capaz de alinhar estratégia, desempenho e conformidade (COSO, 2017).

Este estudo tem como objetivo analisar a interrelação entre esses instrumentos, demonstrando como contribuem para o amadurecimento institucional e a melhoria da gestão pública.

2 Fundamentação Teórica

2.1 Governança Pública e Gestão de Riscos

Governança pública refere-se ao conjunto de mecanismos que asseguram direção estratégica, supervisão e controle das organizações governamentais (MATIAS-PEREIRA, 2010). Ela envolve transparência, responsabilização e eficiência administrativa.

A literatura aponta que a gestão de riscos é elemento estruturante da governança, pois permite identificar incertezas capazes de comprometer objetivos institucionais (TCU, 2018). Segundo o Tribunal de Contas da União, o gerenciamento de riscos favorece decisões informadas, reduz perdas e fortalece a confiança pública.

Di Pietro (2020) observa que a administração pública moderna não pode se limitar à legalidade formal, devendo adotar práticas gerenciais que garantam efetividade e integridade.

2.2 Lei de Responsabilidade Fiscal como instrumento preventivo

A Lei Complementar nº 101/2000 representa marco regulatório voltado à gestão fiscal responsável. Seu foco é o equilíbrio das contas públicas por meio de planejamento, transparência e controle (BRASIL, 2000).

Entre os principais mecanismos preventivos destacam-se:

  • Estabelecimento de metas fiscais;
  • Limites para despesas com pessoal;
  • Controle do endividamento;
  • Relatórios de gestão fiscal;
  • Avaliação de riscos fiscais.

Esses instrumentos configuram verdadeira arquitetura de mitigação de riscos financeiros, reduzindo vulnerabilidades estruturais do setor público. Matias-Pereira (2010) ressalta que a LRF fortaleceu a cultura de planejamento e accountability no Brasil.

 

2.3 Decreto nº 9.203/2017 e a institucionalização da governança

O Decreto nº 9.203/2017 institui política de governança pública baseada em integridade, gestão de riscos e controles internos (BRASIL, 2017). A norma exige que órgãos públicos adotem práticas sistemáticas de identificação, avaliação e monitoramento de riscos.

Segundo o TCU (2018), o decreto representa avanço na maturidade institucional ao vincular governança à gestão estratégica. A gestão de riscos deixa de ser atividade isolada e passa a integrar o ciclo decisório.

Esse alinhamento fortalece a accountability e amplia a capacidade de resposta institucional diante de incertezas.

2.4 Estrutura COSO e Gestão Integrada de Riscos

O COSO propõe modelo estruturado de controle interno composto por cinco dimensões:

  1. Ambiente de controle
  2. Avaliação de riscos
  3. Atividades de controle
  4. Informação e comunicação
  5. Monitoramento

O modelo evoluiu para o COSO ERM, que integra risco à estratégia organizacional (COSO, 2017). Essa abordagem considera risco como elemento inerente à criação de valor.

No setor público, a aplicação do COSO promove padronização, melhoria dos processos e cultura de integridade (TCU, 2018). Conforme Matias-Pereira (2010), a gestão de riscos fortalece a capacidade administrativa de antecipar problemas e otimizar recursos.

3 Metodologia

A pesquisa possui natureza qualitativa e exploratória, fundamentada em revisão bibliográfica e análise normativa. Foram examinados dispositivos legais, literatura especializada e referenciais internacionais sobre governança e gestão de riscos.

A abordagem teórico-analítica permitiu identificar convergências entre os instrumentos estudados e sua aplicabilidade no setor público.

4 Tipologia de riscos na administração pública

A administração pública está sujeita a múltiplos riscos que podem comprometer objetivos institucionais:

  • Riscos fiscais: desequilíbrio orçamentário e financeiro;
  • Riscos operacionais: falhas em processos;
  • Riscos de integridade: fraudes e corrupção;
  • Riscos legais: descumprimento normativo;
  • Riscos estratégicos: decisões inadequadas.

O gerenciamento sistemático desses riscos é essencial para assegurar continuidade administrativa e eficiência (TCU, 2018).

5 Controles internos como instrumentos de governança

Controles internos são mecanismos destinados a garantir conformidade, eficiência e proteção dos ativos públicos (COSO, 2017). Eles incluem:

  • Segregação de funções;
  • Auditorias internas;
  • Padronização de processos;
  • Monitoramento financeiro;
  • Sistemas de informação.

Di Pietro (2020) destaca que controles eficazes não apenas previnem irregularidades, mas promovem melhoria contínua.

6 Integração entre LRF, Decreto 9.203/2017 e COSO

A convergência entre planejamento fiscal (LRF), governança institucional (Decreto 9.203) e metodologia de gestão de riscos (COSO) forma base estruturante da administração pública moderna.

Essa integração:

  • Promove disciplina fiscal;
  • Estrutura processos decisórios;
  • Reduz vulnerabilidades;
  • Amplia transparência;
  • Fortalece accountability.

Segundo o TCU (2018), a gestão integrada de riscos eleva o nível de maturidade institucional.

7 Linhas de amadurecimento em gestão de riscos

O amadurecimento institucional pode ser observado em níveis progressivos:

Inicial: controles reativos e fragmentados;

Estruturado: processos formalizados;

Integrado: riscos vinculados à estratégia;

Otimizado: cultura organizacional orientada por riscos.

O COSO fornece base metodológica para essa evolução (COSO, 2017).

8 Benefícios da gestão integrada

A adoção estruturada de gestão de riscos gera:

  • Eficiência administrativa;
  • Prevenção de irregularidades;
  • Decisão baseada em evidências;
  • Sustentabilidade fiscal;
  • Credibilidade institucional.

Matias-Pereira (2010) afirma que organizações públicas maduras tendem a apresentar maior qualidade de governança.

9 Desafios de implementação

Apesar dos benefícios, a implementação enfrenta obstáculos:

  • Resistência cultural;
  • Capacitação insuficiente;
  • Fragmentação institucional;
  • Limitações tecnológicas.

Superar esses desafios exige liderança e compromisso organizacional (TCU, 2018).

10 Discussão

A gestão de riscos representa mudança paradigmática na administração pública. Ao integrar planejamento, controle e governança, cria-se ambiente institucional orientado à prevenção e desempenho.

A LRF estabelece disciplina fiscal; o Decreto 9.203 institucionaliza governança; e o COSO operacionaliza a gestão de riscos. Juntos, esses instrumentos promovem maturidade administrativa e fortalecimento da confiança social.

11 Conclusão

A gestão integrada de riscos e controles internos é condição essencial para a modernização da administração pública. A articulação entre LRF, governança e COSO promove eficiência, transparência e sustentabilidade fiscal.

Conclui-se que a adoção sistemática desses instrumentos fortalece a capacidade estatal de prevenir falhas, melhorar decisões e garantir accountability.

 

Referências

BRASIL. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Lei de Responsabilidade Fiscal.

BRASIL. Decreto nº 9.203, de 22 de novembro de 2017. Dispõe sobre a política de governança pública.

COSO. Enterprise Risk Management – Integrating with Strategy and Performance. 2017.

DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 2020.

MATIAS-PEREIRA, José. Governança no setor público. São Paulo: Atlas, 2010.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Referencial básico de gestão de riscos. Brasília: TCU, 2018.

 

Anexo : tabelas comparativas ajudam muito a visualizar a integração conceitual e prática entre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o Decreto nº 9.203/2017 (Governança Pública) e a estrutura COSO.

 

Tabela 1 — Comparação conceitual entre LRF, Governança Pública e COSO

Dimensão

Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)

Governança Pública (Decreto 9.203/2017)

Estrutura COSO

Finalidade principal

Sustentabilidade fiscal e equilíbrio das contas públicas

Direcionamento estratégico e integridade institucional

Gestão integrada de riscos e controles internos

Foco de atuação

Planejamento financeiro e responsabilidade orçamentária

Estrutura decisória, transparência e accountability

Identificação, avaliação e mitigação de riscos

Natureza

Normativa e fiscal

Normativa e gerencial

Metodológica e estruturante

Ênfase preventiva

Controle de despesas e riscos fiscais

Governança baseada em riscos

Gestão proativa de riscos organizacionais

Impacto institucional

Estabilidade financeira

Maturidade administrativa

Eficiência e confiabilidade dos processos

Fonte: Elaborado pelo autor com base em Brasil (2000; 2017) e COSO (2017).

 Tabela 2 — Correspondência entre mecanismos de controle

Elemento de controle

LRF

Governança Pública

COSO

Planejamento

Metas fiscais e limites legais

Planejamento estratégico institucional

Integração risco–estratégia

Monitoramento

Relatórios de gestão fiscal

Avaliação contínua de desempenho

Monitoramento dos controles

Transparência

Publicação de relatórios fiscais

Prestação de contas e integridade

Comunicação e informação confiável

Mitigação de riscos

Avaliação de riscos fiscais

Gestão corporativa de riscos

Avaliação e resposta a riscos

Responsabilização

Sanções por descumprimento

Accountability institucional

Ambiente de controle ético

Fonte: Elaborado pelo autor com base em TCU (2018) e COSO (2017).

 

 

Tabela 3 — Integração funcional na administração pública

Função administrativa

Contribuição da LRF

Contribuição da Governança

Contribuição do COSO

Gestão financeira

Disciplina fiscal

Alinhamento estratégico

Controle de riscos financeiros

Tomada de decisão

Base normativa e limites legais

Governança orientada a resultados

Decisão baseada em risco

Controle interno

Exigência legal de fiscalização

Estrutura institucional de controle

Modelo estruturado de controles

Integridade institucional

Prevenção de desequilíbrios fiscais

Cultura de ética e conformidade

Ambiente de controle

Eficiência administrativa

Otimização do gasto público

Governança orientada ao desempenho

Melhoria contínua dos processos

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

Tabela 4 — Níveis de amadurecimento institucional

Nível de maturidade

LRF

Governança Pública

COSO

Inicial

Cumprimento formal das normas fiscais

Estruturas básicas de governança

Controles pontuais

Estruturado

Planejamento fiscal consistente

Processos definidos de governança

Avaliação sistemática de riscos

Integrado

Gestão fiscal alinhada à estratégia

Governança corporativa ativa

Gestão integrada de riscos

Otimizado

Sustentabilidade financeira contínua

Cultura institucional madura

Monitoramento e melhoria contínua

Fonte: Elaborado pelo autor com base em COSO (2017) e TCU (2018).

 

Tabela 5 — Benefícios institucionais comparados

Benefício

LRF

Governança Pública

COSO

Sustentabilidade

Equilíbrio fiscal

Planejamento institucional

Mitigação de riscos estratégicos

Transparência

Divulgação de dados fiscais

Accountability

Comunicação estruturada

Eficiência

Controle de gastos

Gestão orientada a desempenho

Otimização de processos

Confiabilidade

Segurança fiscal

Credibilidade institucional

Controles robustos

Prevenção de falhas

Limites legais

Supervisão institucional

Gestão preventiva de riscos

 

 Tabela — Matriz de implementação prática da gestão de riscos e controles na administração pública

Etapa de implementação

Objetivo

Base normativa (LRF / Gov.)

Referência COSO

Ações práticas no órgão público

Resultado esperado

1. Comprometimento da alta gestão

Instituir cultura de governança e risco

Decreto 9.203 — governança e integridade

Ambiente de controle

Formalizar política de gestão de riscos; designar responsáveis; criar comitê de governança

Direcionamento institucional claro

2. Planejamento estratégico alinhado

Integrar risco ao planejamento

LRF — metas e responsabilidade fiscal

Definição de objetivos

Vincular riscos às metas fiscais e institucionais

Planejamento orientado a riscos

3. Identificação de riscos

Mapear vulnerabilidades institucionais

Governança — gestão de riscos

Avaliação de riscos

Levantar riscos fiscais, operacionais e legais

Visão estruturada das ameaças

4. Análise e priorização

Classificar impacto e probabilidade

LRF — prevenção de desequilíbrios

Avaliação de riscos

Criar matriz de risco e critérios de priorização

Foco em riscos críticos

5. Definição de controles

Mitigar riscos identificados

Governança — controles internos

Atividades de controle

Implementar segregação de funções, rotinas padronizadas e auditorias

Redução de falhas e irregularidades

6. Comunicação institucional

Garantir transparência

LRF — publicidade e relatórios

Informação e comunicação

Divulgar políticas, riscos e controles internamente

Engajamento organizacional

7. Monitoramento contínuo

Avaliar eficácia dos controles

Governança — supervisão

Monitoramento

Auditorias internas e revisão periódica de riscos

Melhoria contínua

8. Avaliação de desempenho

Medir resultados institucionais

LRF — relatórios fiscais

Monitoramento e revisão

Indicadores de governança e risco

Gestão baseada em evidências

9. Capacitação institucional

Desenvolver competências técnicas

Governança — profissionalização

Ambiente de controle

Treinamentos em risco e controle interno

Cultura de prevenção

10. Revisão e aprimoramento

Atualizar processos

Integração normativa

Revisão contínua COSO

Ajustar políticas conforme resultados

Maturidade institucional progressiva

 

Exemplo prático de implementação da gestão de riscos e controles internos em uma Secretaria Municipal de Finanças

 

Contextualização do cenário

Considere uma Secretaria Municipal de Finanças responsável por planejamento orçamentário, execução financeira e controle de despesas. O órgão enfrenta riscos recorrentes como:

  • inconsistências no planejamento fiscal;
  • atrasos em relatórios obrigatórios;
  • falhas de controle interno;
  • risco de extrapolação de limites da LRF;
  • baixa padronização de processos.

A administração municipal decide implementar um modelo estruturado de gestão de riscos alinhado ao Decreto nº 9.203/2017 e à metodologia COSO, visando fortalecer a governança e garantir sustentabilidade fiscal.

Tabela — Aplicação prática por etapas

Etapa

Situação identificada

Ação implementada

Base normativa

Referência COSO

Resultado observado

Comprometimento da gestão

Ausência de diretrizes formais

Instituição de política municipal de gestão de riscos

Decreto 9.203

Ambiente de controle

Direcionamento institucional

Planejamento fiscal

Metas inconsistentes

Integração risco–planejamento orçamentário

LRF

Definição de objetivos

Planejamento mais realista

Identificação de riscos

Falhas operacionais recorrentes

Mapeamento de riscos fiscais e administrativos

Governança pública

Avaliação de riscos

Visão estruturada das vulnerabilidades

Prioridade de riscos

Tratamento reativo

Classificação por impacto e probabilidade

LRF

Avaliação de riscos

Foco nos riscos críticos

Controles internos

Processos informais

Padronização e segregação de funções

Governança

Atividades de controle

Redução de erros

Comunicação

Baixa transparência interna

Divulgação de relatórios e rotinas

LRF

Informação e comunicação

Engajamento da equipe

Monitoramento

Revisões esporádicas

Auditoria interna contínua

Governança

Monitoramento

Correção preventiva

Capacitação

Falta de conhecimento técnico

Treinamentos periódicos

Governança

Ambiente de controle

Cultura de risco fortalecida

 

Fluxo operacional resumido

  1. Criação de comitê de governança e risco
  2. Diagnóstico fiscal e operacional
  3. Mapeamento de riscos
  4. Implantação de controles internos
  5. Monitoramento contínuo
  6. Revisão estratégica

Resultados institucionais obtidos

Após 12 meses de implementação, observam-se:

  • maior previsibilidade fiscal;
  • redução de falhas administrativas;
  • cumprimento tempestivo da LRF;
  • melhoria na tomada de decisão;
  • fortalecimento da transparência;
  • aumento da confiança institucional.

Análise acadêmica do caso

O caso evidencia que a integração entre disciplina fiscal (LRF), governança institucional (Decreto nº 9.203/2017) e metodologia COSO produz efeitos concretos na eficiência administrativa. A adoção de controles internos estruturados promove prevenção de riscos fiscais e operacionais, alinhando a atuação do órgão aos princípios constitucionais da administração pública.

A literatura demonstra que a gestão baseada em riscos amplia a capacidade estatal de antecipar vulnerabilidades e otimizar recursos (TCU, 2018; COSO, 2017). Assim, o amadurecimento institucional decorre da internalização de práticas sistemáticas de governança.

 

 

 

Tabela — Riscos e controles na administração pública à luz da LRF, do Decreto nº 9.203/2017 e da estrutura COSO

Situação de risco na administração pública

Base normativa (LRF / Gov.)

Componente COSO

Controle recomendado

Objetivo do controle

Resultado esperado

Extrapolação de limites de despesa com pessoal

LRF — limites fiscais

Avaliação de riscos

Monitoramento mensal da folha e alertas preventivos

Evitar desequilíbrio fiscal

Sustentabilidade financeira

Planejamento orçamentário inconsistente

LRF — metas fiscais

Definição de objetivos

Revisão técnica do planejamento com análise de riscos

Garantir previsibilidade orçamentária

Planejamento confiável

Falhas em processos administrativos

Decreto 9.203 — governança

Atividades de controle

Padronização de rotinas e segregação de funções

Reduzir erros operacionais

Maior eficiência administrativa

Atraso em relatórios obrigatórios

LRF — transparência

Informação e comunicação

Calendário institucional de entregas e supervisão

Assegurar conformidade legal

Cumprimento normativo

Risco de fraude ou irregularidade

Governança — integridade

Ambiente de controle

Política de integridade e auditoria interna

Fortalecer ética institucional

Prevenção de irregularidades

Decisões sem análise de risco

Decreto 9.203 — gestão de riscos

Avaliação de riscos

Inclusão de análise de risco nos processos decisórios

Melhorar qualidade da decisão

Redução de vulnerabilidades

Falta de comunicação interna

Governança — transparência

Informação e comunicação

Divulgação de procedimentos e riscos

Engajar equipes

Alinhamento institucional

Controles internos ineficazes

Governança — supervisão

Monitoramento

Auditorias periódicas e revisão de controles

Avaliar eficácia dos processos

Melhoria contínua

Execução financeira desorganizada

LRF — responsabilidade fiscal

Atividades de controle

Procedimentos formais de execução e conferência

Garantir legalidade e eficiência

Confiabilidade financeira

Baixa capacitação técnica

Governança — profissionalização

Ambiente de controle

Programa contínuo de capacitação

Desenvolver cultura de risco

Fortalecimento institucional

Fonte: Elaborado pelo autor com base na Lei Complementar nº 101/2000, Decreto nº 9.203/2017, COSO (2017) e TCU (2018).

 

Tabela — Modelo de avaliação de maturidade em gestão de riscos e controles na administração pública

Nível de maturidade

Características institucionais

Base normativa predominante

Alinhamento com COSO

Evidências práticas observáveis

Impacto institucional

Nível 1 — Inicial (Reativo)

Controles informais, atuação corretiva, ausência de gestão estruturada de riscos

Cumprimento básico da LRF

Controles pontuais

Falhas recorrentes, processos não padronizados, decisões reativas

Alta vulnerabilidade administrativa

Nível 2 — Estruturado

Procedimentos definidos e controles formais

LRF + diretrizes de governança

Avaliação inicial de riscos

Existência de rotinas documentadas e monitoramento parcial

Redução de erros operacionais

Nível 3 — Integrado

Gestão de riscos vinculada ao planejamento institucional

Decreto 9.203 — governança ativa

Componentes COSO implementados

Mapeamento sistemático de riscos e controles padronizados

Maior previsibilidade e eficiência

Nível 4 — Gerenciado

Monitoramento contínuo e decisões baseadas em risco

Integração normativa completa

Gestão de riscos madura

Indicadores de desempenho e auditoria contínua

Sustentabilidade institucional

Nível 5 — Otimizado

Cultura organizacional orientada por risco e melhoria contínua

Governança consolidada

COSO plenamente integrado

Aprimoramento permanente, aprendizado institucional

Excelência administrativa e confiança pública

Fonte: Elaborado pelo autor com base em COSO (2017), TCU (2018), Lei de Responsabilidade Fiscal e Decreto nº 9.203/2017.

 

Escala prática de pontuação (opcional)

Você pode avaliar cada área do órgão público atribuindo notas:

Pontuação

Interpretação

1

                               Nível inicial — controles mínimos

2

                               Estrutura básica implementada

3

                                Gestão integrada de riscos

4

                                Monitoramento sistemático

5

                                 Excelência e melhoria contínua

A média das pontuações indica o estágio de maturidade institucional.

Critérios de avaliação sugeridos

Avaliar cada item de 1 a 5:

  • Planejamento fiscal alinhado à LRF
  • Política de gestão de riscos
  • Controles internos formalizados
  • Monitoramento e auditoria
  • Comunicação institucional
  • Capacitação técnica
  • Gestão baseada em indicadores
  • Cultura de integridade

 

Autor

Hilberto Angelo Amanajás Pena

RISCOS E CONTROLES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:  UMA ANÁLISE À LUZ DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL, DO DECRETO Nº 9.203/2017 E DA ESTRUTURA COSO

Cidade: Macapá-AP - Ano: 2026