RISCOS E CONTROLES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: UMA ANÁLISE À LUZ DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL, DO DECRETO Nº 9.203/2017 E DA ESTRUTURA COSO
Resumo
A gestão pública contemporânea exige mecanismos estruturados capazes de assegurar eficiência, integridade e sustentabilidade fiscal. Nesse contexto, a gestão de riscos e os controles internos assumem papel estratégico na governança pública. Este artigo analisa os riscos e controles na administração pública brasileira à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), do Decreto nº 9.203/2017 e da estrutura COSO, referência internacional em gestão de riscos e controle interno. A pesquisa adota abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e normativa. Os resultados indicam que a integração entre governança, planejamento fiscal e gestão estruturada de riscos promove amadurecimento institucional, fortalece a accountability e contribui para a prevenção de irregularidades. Conclui-se que a adoção sistemática de modelos de controle baseados no COSO amplia a capacidade estatal de tomada de decisão e gestão sustentável.
Palavras-chave: Gestão de riscos. Governança pública. Controle interno. Responsabilidade fiscal. COSO.
La gestión pública contemporánea exige mecanismos estructurados capaces de garantizar la eficiencia, la integridad y la sostenibilidad fiscal. En este contexto, la gestión de riesgos y los controles internos asumen un papel estratégico en la gobernanza pública. Este artículo analiza los riesgos y controles en la administración pública brasileña a la luz de la Ley de Responsabilidad Fiscal (LRF), Decreto n.º 9.203/2017, y el marco COSO, referente internacional en gestión de riesgos y control interno. La investigación adopta un enfoque cualitativo, basado en una revisión bibliográfica y normativa. Los resultados indican que la integración entre la gobernanza, la planificación fiscal y la gestión estructurada de riesgos promueve la madurez institucional, fortalece la rendición de cuentas y contribuye a la prevención de irregularidades. Se concluye que la adopción sistemática de modelos de control basados en COSO amplía la capacidad del Estado para la toma de decisiones y la gestión sostenible.
Palabras clave: Gestión de riesgos. Gobernanza pública. Control interno.
Contemporary public management demands structured mechanisms capable of ensuring efficiency, integrity, and fiscal sustainability. In this context, risk management and internal controls assume a strategic role in public governance. This article analyzes the risks and controls in Brazilian public administration in light of the Fiscal Responsibility Law (LRF), Decree No. 9,203/2017, and the COSO framework, an international reference in risk management and internal control. The research adopts a qualitative approach, based on bibliographic and normative review. The results indicate that the integration between governance, fiscal planning, and structured risk management promotes institutional maturity, strengthens accountability, and contributes to the prevention of irregularities. It is concluded that the systematic adoption of control models based on COSO expands the state's capacity for decision-making and sustainable management. Keywords: Risk management. Public governance. Internal control.
1 Introdução
A administração pública enfrenta crescente pressão por resultados, transparência e uso eficiente dos recursos públicos. A complexidade institucional e o aumento das demandas sociais ampliam a exposição a riscos fiscais, operacionais e de integridade. Nesse cenário, a governança pública moderna incorpora a gestão de riscos como elemento central da tomada de decisão.
A Lei de Responsabilidade Fiscal introduziu disciplina e planejamento fiscal no Brasil, estabelecendo mecanismos preventivos voltados à sustentabilidade financeira do Estado (BRASIL, 2000). Posteriormente, o Decreto nº 9.203/2017 consolidou diretrizes de governança pública, reconhecendo a gestão de riscos como componente essencial da administração (BRASIL, 2017).
Paralelamente, a estrutura COSO tornou-se referência internacional para sistemas de controle interno e gestão de riscos, fornecendo metodologia integrada capaz de alinhar estratégia, desempenho e conformidade (COSO, 2017).
Este estudo tem como objetivo analisar a interrelação entre esses instrumentos, demonstrando como contribuem para o amadurecimento institucional e a melhoria da gestão pública.
2 Fundamentação Teórica
2.1 Governança Pública e Gestão de Riscos
Governança pública refere-se ao conjunto de mecanismos que asseguram direção estratégica, supervisão e controle das organizações governamentais (MATIAS-PEREIRA, 2010). Ela envolve transparência, responsabilização e eficiência administrativa.
A literatura aponta que a gestão de riscos é elemento estruturante da governança, pois permite identificar incertezas capazes de comprometer objetivos institucionais (TCU, 2018). Segundo o Tribunal de Contas da União, o gerenciamento de riscos favorece decisões informadas, reduz perdas e fortalece a confiança pública.
Di Pietro (2020) observa que a administração pública moderna não pode se limitar à legalidade formal, devendo adotar práticas gerenciais que garantam efetividade e integridade.
2.2 Lei de Responsabilidade Fiscal como instrumento preventivo
A Lei Complementar nº 101/2000 representa marco regulatório voltado à gestão fiscal responsável. Seu foco é o equilíbrio das contas públicas por meio de planejamento, transparência e controle (BRASIL, 2000).
Entre os principais mecanismos preventivos destacam-se:
Esses instrumentos configuram verdadeira arquitetura de mitigação de riscos financeiros, reduzindo vulnerabilidades estruturais do setor público. Matias-Pereira (2010) ressalta que a LRF fortaleceu a cultura de planejamento e accountability no Brasil.
2.3 Decreto nº 9.203/2017 e a institucionalização da governança
O Decreto nº 9.203/2017 institui política de governança pública baseada em integridade, gestão de riscos e controles internos (BRASIL, 2017). A norma exige que órgãos públicos adotem práticas sistemáticas de identificação, avaliação e monitoramento de riscos.
Segundo o TCU (2018), o decreto representa avanço na maturidade institucional ao vincular governança à gestão estratégica. A gestão de riscos deixa de ser atividade isolada e passa a integrar o ciclo decisório.
Esse alinhamento fortalece a accountability e amplia a capacidade de resposta institucional diante de incertezas.
2.4 Estrutura COSO e Gestão Integrada de Riscos
O COSO propõe modelo estruturado de controle interno composto por cinco dimensões:
O modelo evoluiu para o COSO ERM, que integra risco à estratégia organizacional (COSO, 2017). Essa abordagem considera risco como elemento inerente à criação de valor.
No setor público, a aplicação do COSO promove padronização, melhoria dos processos e cultura de integridade (TCU, 2018). Conforme Matias-Pereira (2010), a gestão de riscos fortalece a capacidade administrativa de antecipar problemas e otimizar recursos.
3 Metodologia
A pesquisa possui natureza qualitativa e exploratória, fundamentada em revisão bibliográfica e análise normativa. Foram examinados dispositivos legais, literatura especializada e referenciais internacionais sobre governança e gestão de riscos.
A abordagem teórico-analítica permitiu identificar convergências entre os instrumentos estudados e sua aplicabilidade no setor público.
4 Tipologia de riscos na administração pública
A administração pública está sujeita a múltiplos riscos que podem comprometer objetivos institucionais:
O gerenciamento sistemático desses riscos é essencial para assegurar continuidade administrativa e eficiência (TCU, 2018).
5 Controles internos como instrumentos de governança
Controles internos são mecanismos destinados a garantir conformidade, eficiência e proteção dos ativos públicos (COSO, 2017). Eles incluem:
Di Pietro (2020) destaca que controles eficazes não apenas previnem irregularidades, mas promovem melhoria contínua.
6 Integração entre LRF, Decreto 9.203/2017 e COSO
A convergência entre planejamento fiscal (LRF), governança institucional (Decreto 9.203) e metodologia de gestão de riscos (COSO) forma base estruturante da administração pública moderna.
Essa integração:
Segundo o TCU (2018), a gestão integrada de riscos eleva o nível de maturidade institucional.
7 Linhas de amadurecimento em gestão de riscos
O amadurecimento institucional pode ser observado em níveis progressivos:
Inicial: controles reativos e fragmentados;
Estruturado: processos formalizados;
Integrado: riscos vinculados à estratégia;
Otimizado: cultura organizacional orientada por riscos.
O COSO fornece base metodológica para essa evolução (COSO, 2017).
8 Benefícios da gestão integrada
A adoção estruturada de gestão de riscos gera:
Matias-Pereira (2010) afirma que organizações públicas maduras tendem a apresentar maior qualidade de governança.
9 Desafios de implementação
Apesar dos benefícios, a implementação enfrenta obstáculos:
Superar esses desafios exige liderança e compromisso organizacional (TCU, 2018).
10 Discussão
A gestão de riscos representa mudança paradigmática na administração pública. Ao integrar planejamento, controle e governança, cria-se ambiente institucional orientado à prevenção e desempenho.
A LRF estabelece disciplina fiscal; o Decreto 9.203 institucionaliza governança; e o COSO operacionaliza a gestão de riscos. Juntos, esses instrumentos promovem maturidade administrativa e fortalecimento da confiança social.
11 Conclusão
A gestão integrada de riscos e controles internos é condição essencial para a modernização da administração pública. A articulação entre LRF, governança e COSO promove eficiência, transparência e sustentabilidade fiscal.
Conclui-se que a adoção sistemática desses instrumentos fortalece a capacidade estatal de prevenir falhas, melhorar decisões e garantir accountability.
Referências
BRASIL. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Lei de Responsabilidade Fiscal.
BRASIL. Decreto nº 9.203, de 22 de novembro de 2017. Dispõe sobre a política de governança pública.
COSO. Enterprise Risk Management – Integrating with Strategy and Performance. 2017.
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 2020.
MATIAS-PEREIRA, José. Governança no setor público. São Paulo: Atlas, 2010.
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Referencial básico de gestão de riscos. Brasília: TCU, 2018.
Anexo : tabelas comparativas ajudam muito a visualizar a integração conceitual e prática entre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o Decreto nº 9.203/2017 (Governança Pública) e a estrutura COSO.
|
Dimensão |
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) |
Governança Pública (Decreto 9.203/2017) |
Estrutura COSO |
|
Finalidade principal |
Sustentabilidade fiscal e equilíbrio das contas públicas |
Direcionamento estratégico e integridade institucional |
Gestão integrada de riscos e controles internos |
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Foco de atuação |
Planejamento financeiro e responsabilidade orçamentária |
Estrutura decisória, transparência e accountability |
Identificação, avaliação e mitigação de riscos |
|
Natureza |
Normativa e fiscal |
Normativa e gerencial |
Metodológica e estruturante |
|
Ênfase preventiva |
Controle de despesas e riscos fiscais |
Governança baseada em riscos |
Gestão proativa de riscos organizacionais |
|
Impacto institucional |
Estabilidade financeira |
Maturidade administrativa |
Eficiência e confiabilidade dos processos |
Fonte: Elaborado pelo autor com base em Brasil (2000; 2017) e COSO (2017).
|
Elemento de controle |
LRF |
Governança Pública |
COSO |
|
Planejamento |
Metas fiscais e limites legais |
Planejamento estratégico institucional |
Integração risco–estratégia |
|
Monitoramento |
Relatórios de gestão fiscal |
Avaliação contínua de desempenho |
Monitoramento dos controles |
|
Transparência |
Publicação de relatórios fiscais |
Prestação de contas e integridade |
Comunicação e informação confiável |
|
Mitigação de riscos |
Avaliação de riscos fiscais |
Gestão corporativa de riscos |
Avaliação e resposta a riscos |
|
Responsabilização |
Sanções por descumprimento |
Accountability institucional |
Ambiente de controle ético |
Fonte: Elaborado pelo autor com base em TCU (2018) e COSO (2017).
|
Função administrativa |
Contribuição da LRF |
Contribuição da Governança |
Contribuição do COSO |
|
Gestão financeira |
Disciplina fiscal |
Alinhamento estratégico |
Controle de riscos financeiros |
|
Tomada de decisão |
Base normativa e limites legais |
Governança orientada a resultados |
Decisão baseada em risco |
|
Controle interno |
Exigência legal de fiscalização |
Estrutura institucional de controle |
Modelo estruturado de controles |
|
Integridade institucional |
Prevenção de desequilíbrios fiscais |
Cultura de ética e conformidade |
Ambiente de controle |
|
Eficiência administrativa |
Otimização do gasto público |
Governança orientada ao desempenho |
Melhoria contínua dos processos |
Fonte: Elaborado pelo autor.
|
Nível de maturidade |
LRF |
Governança Pública |
COSO |
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Inicial |
Cumprimento formal das normas fiscais |
Estruturas básicas de governança |
Controles pontuais |
|
Estruturado |
Planejamento fiscal consistente |
Processos definidos de governança |
Avaliação sistemática de riscos |
|
Integrado |
Gestão fiscal alinhada à estratégia |
Governança corporativa ativa |
Gestão integrada de riscos |
|
Otimizado |
Sustentabilidade financeira contínua |
Cultura institucional madura |
Monitoramento e melhoria contínua |
Fonte: Elaborado pelo autor com base em COSO (2017) e TCU (2018).
|
Benefício |
LRF |
Governança Pública |
COSO |
|
Sustentabilidade |
Equilíbrio fiscal |
Planejamento institucional |
Mitigação de riscos estratégicos |
|
Transparência |
Divulgação de dados fiscais |
Accountability |
Comunicação estruturada |
|
Eficiência |
Controle de gastos |
Gestão orientada a desempenho |
Otimização de processos |
|
Confiabilidade |
Segurança fiscal |
Credibilidade institucional |
Controles robustos |
|
Prevenção de falhas |
Limites legais |
Supervisão institucional |
Gestão preventiva de riscos |
Tabela — Matriz de implementação prática da gestão de riscos e controles na administração pública
|
Etapa de implementação |
Objetivo |
Base normativa (LRF / Gov.) |
Referência COSO |
Ações práticas no órgão público |
Resultado esperado |
|
1. Comprometimento da alta gestão |
Instituir cultura de governança e risco |
Decreto 9.203 — governança e integridade |
Ambiente de controle |
Formalizar política de gestão de riscos; designar responsáveis; criar comitê de governança |
Direcionamento institucional claro |
|
2. Planejamento estratégico alinhado |
Integrar risco ao planejamento |
LRF — metas e responsabilidade fiscal |
Definição de objetivos |
Vincular riscos às metas fiscais e institucionais |
Planejamento orientado a riscos |
|
3. Identificação de riscos |
Mapear vulnerabilidades institucionais |
Governança — gestão de riscos |
Avaliação de riscos |
Levantar riscos fiscais, operacionais e legais |
Visão estruturada das ameaças |
|
4. Análise e priorização |
Classificar impacto e probabilidade |
LRF — prevenção de desequilíbrios |
Avaliação de riscos |
Criar matriz de risco e critérios de priorização |
Foco em riscos críticos |
|
5. Definição de controles |
Mitigar riscos identificados |
Governança — controles internos |
Atividades de controle |
Implementar segregação de funções, rotinas padronizadas e auditorias |
Redução de falhas e irregularidades |
|
6. Comunicação institucional |
Garantir transparência |
LRF — publicidade e relatórios |
Informação e comunicação |
Divulgar políticas, riscos e controles internamente |
Engajamento organizacional |
|
7. Monitoramento contínuo |
Avaliar eficácia dos controles |
Governança — supervisão |
Monitoramento |
Auditorias internas e revisão periódica de riscos |
Melhoria contínua |
|
8. Avaliação de desempenho |
Medir resultados institucionais |
LRF — relatórios fiscais |
Monitoramento e revisão |
Indicadores de governança e risco |
Gestão baseada em evidências |
|
9. Capacitação institucional |
Desenvolver competências técnicas |
Governança — profissionalização |
Ambiente de controle |
Treinamentos em risco e controle interno |
Cultura de prevenção |
|
10. Revisão e aprimoramento |
Atualizar processos |
Integração normativa |
Revisão contínua COSO |
Ajustar políticas conforme resultados |
Maturidade institucional progressiva |
Considere uma Secretaria Municipal de Finanças responsável por planejamento orçamentário, execução financeira e controle de despesas. O órgão enfrenta riscos recorrentes como:
A administração municipal decide implementar um modelo estruturado de gestão de riscos alinhado ao Decreto nº 9.203/2017 e à metodologia COSO, visando fortalecer a governança e garantir sustentabilidade fiscal.
|
Etapa |
Situação identificada |
Ação implementada |
Base normativa |
Referência COSO |
Resultado observado |
|
Comprometimento da gestão |
Ausência de diretrizes formais |
Instituição de política municipal de gestão de riscos |
Decreto 9.203 |
Ambiente de controle |
Direcionamento institucional |
|
Planejamento fiscal |
Metas inconsistentes |
Integração risco–planejamento orçamentário |
LRF |
Definição de objetivos |
Planejamento mais realista |
|
Identificação de riscos |
Falhas operacionais recorrentes |
Mapeamento de riscos fiscais e administrativos |
Governança pública |
Avaliação de riscos |
Visão estruturada das vulnerabilidades |
|
Prioridade de riscos |
Tratamento reativo |
Classificação por impacto e probabilidade |
LRF |
Avaliação de riscos |
Foco nos riscos críticos |
|
Controles internos |
Processos informais |
Padronização e segregação de funções |
Governança |
Atividades de controle |
Redução de erros |
|
Comunicação |
Baixa transparência interna |
Divulgação de relatórios e rotinas |
LRF |
Informação e comunicação |
Engajamento da equipe |
|
Monitoramento |
Revisões esporádicas |
Auditoria interna contínua |
Governança |
Monitoramento |
Correção preventiva |
|
Capacitação |
Falta de conhecimento técnico |
Treinamentos periódicos |
Governança |
Ambiente de controle |
Cultura de risco fortalecida |
Após 12 meses de implementação, observam-se:
O caso evidencia que a integração entre disciplina fiscal (LRF), governança institucional (Decreto nº 9.203/2017) e metodologia COSO produz efeitos concretos na eficiência administrativa. A adoção de controles internos estruturados promove prevenção de riscos fiscais e operacionais, alinhando a atuação do órgão aos princípios constitucionais da administração pública.
A literatura demonstra que a gestão baseada em riscos amplia a capacidade estatal de antecipar vulnerabilidades e otimizar recursos (TCU, 2018; COSO, 2017). Assim, o amadurecimento institucional decorre da internalização de práticas sistemáticas de governança.
Tabela — Riscos e controles na administração pública à luz da LRF, do Decreto nº 9.203/2017 e da estrutura COSO
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Situação de risco na administração pública |
Base normativa (LRF / Gov.) |
Componente COSO |
Controle recomendado |
Objetivo do controle |
Resultado esperado |
|
Extrapolação de limites de despesa com pessoal |
LRF — limites fiscais |
Avaliação de riscos |
Monitoramento mensal da folha e alertas preventivos |
Evitar desequilíbrio fiscal |
Sustentabilidade financeira |
|
Planejamento orçamentário inconsistente |
LRF — metas fiscais |
Definição de objetivos |
Revisão técnica do planejamento com análise de riscos |
Garantir previsibilidade orçamentária |
Planejamento confiável |
|
Falhas em processos administrativos |
Decreto 9.203 — governança |
Atividades de controle |
Padronização de rotinas e segregação de funções |
Reduzir erros operacionais |
Maior eficiência administrativa |
|
Atraso em relatórios obrigatórios |
LRF — transparência |
Informação e comunicação |
Calendário institucional de entregas e supervisão |
Assegurar conformidade legal |
Cumprimento normativo |
|
Risco de fraude ou irregularidade |
Governança — integridade |
Ambiente de controle |
Política de integridade e auditoria interna |
Fortalecer ética institucional |
Prevenção de irregularidades |
|
Decisões sem análise de risco |
Decreto 9.203 — gestão de riscos |
Avaliação de riscos |
Inclusão de análise de risco nos processos decisórios |
Melhorar qualidade da decisão |
Redução de vulnerabilidades |
|
Falta de comunicação interna |
Governança — transparência |
Informação e comunicação |
Divulgação de procedimentos e riscos |
Engajar equipes |
Alinhamento institucional |
|
Controles internos ineficazes |
Governança — supervisão |
Monitoramento |
Auditorias periódicas e revisão de controles |
Avaliar eficácia dos processos |
Melhoria contínua |
|
Execução financeira desorganizada |
LRF — responsabilidade fiscal |
Atividades de controle |
Procedimentos formais de execução e conferência |
Garantir legalidade e eficiência |
Confiabilidade financeira |
|
Baixa capacitação técnica |
Governança — profissionalização |
Ambiente de controle |
Programa contínuo de capacitação |
Desenvolver cultura de risco |
Fortalecimento institucional |
Fonte: Elaborado pelo autor com base na Lei Complementar nº 101/2000, Decreto nº 9.203/2017, COSO (2017) e TCU (2018).
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Nível de maturidade |
Características institucionais |
Base normativa predominante |
Alinhamento com COSO |
Evidências práticas observáveis |
Impacto institucional |
|
Nível 1 — Inicial (Reativo) |
Controles informais, atuação corretiva, ausência de gestão estruturada de riscos |
Cumprimento básico da LRF |
Controles pontuais |
Falhas recorrentes, processos não padronizados, decisões reativas |
Alta vulnerabilidade administrativa |
|
Nível 2 — Estruturado |
Procedimentos definidos e controles formais |
LRF + diretrizes de governança |
Avaliação inicial de riscos |
Existência de rotinas documentadas e monitoramento parcial |
Redução de erros operacionais |
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Nível 3 — Integrado |
Gestão de riscos vinculada ao planejamento institucional |
Decreto 9.203 — governança ativa |
Componentes COSO implementados |
Mapeamento sistemático de riscos e controles padronizados |
Maior previsibilidade e eficiência |
|
Nível 4 — Gerenciado |
Monitoramento contínuo e decisões baseadas em risco |
Integração normativa completa |
Gestão de riscos madura |
Indicadores de desempenho e auditoria contínua |
Sustentabilidade institucional |
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Nível 5 — Otimizado |
Cultura organizacional orientada por risco e melhoria contínua |
Governança consolidada |
COSO plenamente integrado |
Aprimoramento permanente, aprendizado institucional |
Excelência administrativa e confiança pública |
Fonte: Elaborado pelo autor com base em COSO (2017), TCU (2018), Lei de Responsabilidade Fiscal e Decreto nº 9.203/2017.
Você pode avaliar cada área do órgão público atribuindo notas:
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Pontuação |
Interpretação |
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1 |
Nível inicial — controles mínimos |
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2 |
Estrutura básica implementada |
|
3 |
Gestão integrada de riscos |
|
4 |
Monitoramento sistemático |
|
5 |
Excelência e melhoria contínua |
A média das pontuações indica o estágio de maturidade institucional.
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Autor
Hilberto Angelo Amanajás Pena
RISCOS E CONTROLES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: UMA ANÁLISE À LUZ DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL, DO DECRETO Nº 9.203/2017 E DA ESTRUTURA COSO
Cidade: Macapá-AP - Ano: 2026